La plus que lente

“Deus goza sempre de um prazer único e simples. Com efeito, não existe somente uma atividade do movimento, mas existe também uma atividade da imobilidade, e o prazer está mais no repouso do que no movimento.”

Aristóteles, Ética a Nicômacos


Demos-nos bem eu e o vinho nesse ano já havido, malgrado as objeções feitas pelo tempo, pela lida diária e seus afazeres numerosos, ou por demais embaraços, como aqueles às vezes impostos pelo corpo. Mas o vinho, sempre que se lhe permitiu, esteve lá: conferiu cadência ao que era só roda-viva, sentido de contemplação ao reino da função e da atividade. Sorveu-se como é devido: com vagar, rito e zelo, pois é companhia que pede companhia: a boa mesa, a palavra livre, a música mais bela, a melhor convivência. O bom vinho nem é uma bebida e só: é uma identidade e uma comunicação, vívida expressão de uma terra, de uma arte e de uma cultura. Este espaço, como a Confraria que o originou, esteve a hibernar por longo período, mas agora pretende, no compasso da Valse do genial Debussy, retomar-se nos entremeios do corre-corre ordinário, fingindo-se coadjuvante, enquanto se esforça por dilatar as horas que lhe cabem: as da celebração da vida.

Saúde, caros confrades!

Próxima Degustação: "Castas Ibéricas - Portugal" (1ª Rodada: Dão e Douro)

Castas Ibéricas - Portugal (1ª Rodada: Dão e Douro)

Programa provável (ainda sujeito a sugestões e alterações): Quinta da Garrida 2000 (Dão), Quinta de Cabriz Colheita Selecionada 2004 (Dão), Brunheda Colheita 2000(Douro), Quinta dos Quatro Ventos 2002 (Douro) e Quinta do Crasto 2003 (Douro). Serão quatro ou cinco vinhos, dois de uma região e dois ou três de outra, a depender do número de confirmações.

Outras opções: Aliança Particular Dão 1997 ou 2000, Quinta das Tecedeiras 2001 (Dão), Dão Sul 2000, ou ainda substituir, por exemplo, o Douro pelo Alentejo (Quinta da Terrugem 2000, Monte do Pintor 2002, Cartuxa Colheita 2001...), mas quem sabe a dinâmica região do Alentejo não pode ser objeto de uma degustação exclusiva numa rodada próxima?

Tema literário: Fernando Pessoa.

Roteiro Musical: álbuns "Dois em Pessoa" (Renato Motha e Patrícia Lobato), "Música em Pessoa" (Vários), "Garras dos Sentidos" (Mísia) e "Palavras Cantadas" (Madredeus).

Local e Horário: Casa do Guedes, Sábado, dia 26 de agosto, a partir das 20h.

Investimento por pessoa: R$ 35.

Presenças já confirmadas: Édil, Flávia, Francesco, Mariana, Dôra, Rubner (e convidada). Máximo de participantes: 10 confrades.

Dicas da Confraria

Caros confrades, o espaço recém-nascido Dicas da Confraria (veja o link abaixo) dedica-se à livre troca de informações sobre o mundo dos vinhos. Visitem e deixem seus comentários, propostas, sugestões de boas compras, enfim, boas dicas de vinhos e companhia.

Endereço: www.dicasdaconfraria.blogspot.com

Malbec: a menina dos olhos argentina


Junto ao cabernet sauvignon e ao merlot, o malbec integra o grupo de vinhos do Medoc. Nessas terras, encontram-se os famosos “vinhos negros”, batizados assim devido à sua cor: rubros intensos, púrpuras e violetas exuberantes, que se destacam por sua estrutura tânica e corpulência.

Devido à singularidade e à qualidade alcançadas em solo argentino, o malbec figura como sua variedade mais emblemática. Trata-se de uma cepa versátil, com a qual é possível elaborar vinhos jovens, rosados, espumantes e também exemplares aptos à prolongadas guardas. Em sua cor destacam-se o rubro intenso, os matizes violáceos e anis, especialmente quando jovem. Para reconhecê-lo por seus aromas, recordamos o cheiro de ameixas muito maduras ou o de marmelada de amora. Na boca, o vinho se expressa em todo seu esplendor; se é jovem, apenas uma agradável aspereza impressiona o paladar; se já tem alguns anos, é um vinho maduro, apresentando grande complexidade. Seu romance com a madeira lhe oferece aromas e sabores de chocolate, baunilha, couro e café.

Malbec de caráter jovem: com elegante expressão frutada e notas florais típicas (violetas), alegres e vivas na boca e com retrogosto médio.

Malbec com maturação discreta em madeira (de três a quatro meses): vinho de corpo pleno embora ainda sem as complexidades daqueles que descansam mais em barrica.

Grande Malbec: com tempo em barrica inferior a 10 meses. Tinto maduro, complexo e muito bem estruturado.

Fontes:
MaCNEIL, Karen. The Wine Bible. New York: Workman Publishing, 2001, p. 847-860.
Fondo: Vitivinícola Mendoza - acessado em 17 jul. 2006.